segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Brasil corre o risco de ter um governo anti-SUS, diz pesquisador


“Há um risco de que, pela primeira vez, desde a constituição de 1988, tenhamos um governo com a postura anti-SUS”. A frase do médico sanitarista e ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão guiou os debates ocorridos durante a mesa redonda SUS: o que é e o que poderá ser, organizada pela Casa de Oswaldo Cruz, para refletir sobre avanços e paradoxos do projeto de saúde pública brasileiro, principalmente em meio à conjuntura política, social e econômica pela qual o país vem passando. Ao lado de Temporão, o vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, Nilton Pereira Junior, e Ruben de Araújo Mattos, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, analisaram a trajetória do SUS em seus quase 30 anos de existência, desde os primeiros movimentos em defesa de um sistema de saúde universal e integral, à luta pela garantia constitucional e a inserção de instrumentos de controle social na sua estrutura.

Os debatedores apresentaram um sistema em constante processo de ampliação da cidadania e dos direitos sociais, com avanços em programas como imunização, atenção ao HIV/AIDS, transplantes e Saúde da Família, entre outros, redução da mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida no país. Por outro lado, também expuseram as fragilidades, as negociações entre setores e interesses econômicos, que nem sempre resultaram em vitória para os defensores do sistema, produzindo o que os estudiosos chamam de SUS inconcluso, onde avanços científicos e tecnológicos convivem com precariedades e inconsistências.

No atual contexto, a viabilidade do SUS está sendo colocada novamente em cheque: O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, já afirmou, em uma de suas primeiras declarações à imprensa, que um sistema de saúde integral e universal é inexequível. Para ele, a solução seria redimensionar o sistema e investir no segmento de planos de saúde simplificados, garantidos pelas empresas a seus funcionários. Mais do que uma opinião pessoal, esta é uma diretriz expressa no documento de governo “Uma ponte para o futuro”, que defende o fim dos gastos obrigatórios com saúde por parte do Estado.

Leia a matéria completa aqui.


Fonte: Abrasco

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